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Notícias/AGRONEGÓCIO11/09/2026· KF News

Cerrado pode ampliar produção sem desmatar mais, aponta diretora da TNC Brasil

O Cerrado tem condições de expandir a produção agropecuária sem derrubar mais vegetação. Essa é a avaliação de Júlia Mangabeira, diretora do bioma Cerrado da TNC Brasil. Para ela, o caminho está em recuperar pastagens degradadas e aproveitar melhor as terras que já estão abertas, mas produzem abaixo do potencial.

Os dados vêm do MapBiomas, divulgados nesta sexta-feira (11), Dia do Cerrado. Entre 2017 e 2025, a perda de vegetação secundária — áreas que estavam em processo de recuperação do desmatamento — foi 19,9% maior do que no período de 2007 a 2016. Em 2025, essa vegetação ocupava 7,5 milhões de hectares, o equivalente a 8% da cobertura remanescente do bioma.

O saldo entre ganhos e perdas vem caindo. Entre 1987 e 1996, o balanço positivo era de 3,4 milhões de hectares. Nos dois períodos seguintes, caiu para 2,2 milhões e depois 1,9 milhão de hectares. De 2017 a 2025, ficou em apenas 500 mil hectares, resultado de um ganho de 3,2 milhões e uma perda de 2,7 milhões de hectares.

Dos 1.425 municípios do Cerrado, 67 perderam pelo menos mil hectares a mais do que ganharam no período mais recente. A maioria está no Matopiba, região que reúne partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. As maiores perdas ocorreram em Barreiras e Jaborandi, na Bahia, e Baixa Grande do Ribeiro, no Piauí. Já Cocalinho (MT), Paranã (TO) e Arinos (MG) registraram os maiores ganhos.

Mangabeira defende que a recuperação das pastagens venha acompanhada da restauração de nascentes e áreas de preservação permanente. Ela também aponta a necessidade de crédito de longo prazo, assistência técnica e incentivos públicos e privados. Uma das iniciativas citadas é o IFACC, lançado em 2021 pela TNC, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Tropical Forest Alliance, que acumulou US$ 954 milhões em desembolsos até 2025, com 97,8% concentrados no Cerrado, principalmente no financiamento à soja.

Fonte: CNN