
O Brasil está chegando perto de uma marca histórica: 1 milhão de carros elétricos e híbridos circulando pelas ruas. De janeiro a agosto de 2026, foram vendidos 328.477 veículos eletrificados leves, crescimento de 160,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a ABVE. Só em agosto foram 57.074 unidades vendidas, alta de 184% sobre agosto do ano passado. Os eletrificados já respondem por 22% de todas as vendas de veículos leves no país, a maior participação mensal já registrada pelo segmento. A frota circulante já passa de 950 mil veículos e deve chegar a 1 milhão ainda em setembro. A ABVE projeta fechar 2026 com cerca de 450 mil unidades vendidas no ano.
Mas esse crescimento traz um desafio que o consumidor nem sempre enxerga: o que acontece quando esses carros precisam de reparo. Em abril, a Federação Nacional de Seguros Gerais, a FenSeg, publicou um guia alertando para menor disponibilidade de peças, custos de importação de componentes, falta de oficinas especializadas e o risco que as baterias de alta tensão representam para os custos de manutenção e, no médio prazo, para o preço do seguro.
Na prática, porém, a rede de franquias Seguralta diz que ainda não há diferença no valor do seguro nem na aceitação entre elétricos, híbridos e carros a combustão. Mas há uma exigência: contratar cobertura específica para a bateria de alta tensão. A rede também alerta que o prazo de reparo de elétricos pode ser mais longo por causa da demora na chegada de peças e da falta de oficinas referenciadas.
Leonardo Dalben, engenheiro de software da Progi, empresa de tecnologia que atua nos setores automotivo e de seguros, diz que o problema vai além da mecânica. Para ele, quando os sistemas usados por seguradoras, oficinas e fornecedores não se comunicam entre si, a tecnologia do carro avançou, mas a operação continua travada nos mesmos gargalos de sempre. Uma pesquisa da Confederação Nacional das Seguradoras, a CNseg, divulgada em fevereiro, mostrou que 80% das seguradoras já usam inteligência artificial e 68% acreditam que terão processos totalmente automatizados em até cinco anos.
Fonte: Jovem Pan




