
O Banco Central encontrou fortes indícios de que R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos pelo Banco Master ao BRB simplesmente não existiam. A conclusão está nos documentos que deram origem à Operação Compliance Zero. O sigilo do caso foi retirado por decisão do ministro Edson Fachin, presidente do STF, e o material foi liberado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Uma cópia integral também foi enviada aos demais integrantes da Corte, antes do julgamento marcado para 15 de setembro.
Segundo os documentos, entre janeiro e maio de 2025, o BRB pagou R$ 6,7 bilhões pelos créditos e outros R$ 5,5 bilhões como prêmio ao Banco Master. Para checar se os empréstimos eram reais, o BC selecionou 30 clientes e buscou movimentações que comprovassem a liberação do dinheiro. Em nenhum dos 30 casos foi possível ligar os contratos vendidos ao BRB a um pagamento feito ao suposto tomador. O BC ressaltou que conseguiu localizar a liberação do dinheiro em quase todas as operações que essas mesmas pessoas mantinham com outras instituições financeiras.
Outro ponto suspeito: em apenas quatro dias de janeiro de 2025, foram registradas 182 mil operações para 151 mil pessoas, mas os valores dos empréstimos se repetiam em somente 12 números diferentes por dia. Para os investigadores, esse padrão não combina com o funcionamento normal do crédito consignado, onde os valores variam conforme a renda, a margem disponível e o valor pedido por cada cliente.
O BC ainda identificou que, de 358.353 clientes analisados nas cessões feitas entre dezembro de 2024 e maio de 2025, 290.438 já tinham aparecido em operações anteriores do próprio Master com o BRB. A retirada do sigilo ocorre em meio à crise no STF após relatórios da Polícia Federal citarem contatos de Daniel Vorcaro com integrantes da Corte, incluindo Alexandre de Moraes.
Fonte: Jovem Pan




