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Notícias/SAÚDE22/08/2026· KF News

Amamentação beneficia a saúde da mãe no pós-parto e reduz risco de câncer e outras doenças ao longo da vida

A amamentação costuma ser mais associada aos benefícios para o bebê, mas também traz vantagens importantes para a saúde da mãe — desde o pós-parto até fases posteriores da vida. O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses e, depois da introdução de outros alimentos, que continue até os dois anos ou mais.

Logo após o parto, amamentar ajuda o útero a voltar ao tamanho normal, reduz o sangramento e diminui o risco de anemia. A produção de leite também gasta energia e mobiliza gordura acumulada durante a gravidez, podendo ajudar a mãe a recuperar o peso anterior à gestação.

O ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, explica que duas substâncias têm papel central nesse processo: a prolactina, que estimula a produção do leite e contribui para um estado de maior tranquilidade materna, e a ocitocina, responsável pela liberação do leite, pelo relaxamento, pela redução do estresse e pela criação do vínculo afetivo entre mãe e bebê.

Os benefícios vão além do período de amamentação. Segundo Kulak, estudos epidemiológicos associam maior tempo acumulado de aleitamento ao longo da vida a menor risco de câncer de mama e de ovário. Uma das explicações é a redução dos ciclos ovulatórios durante a lactação, o que diminui a exposição dos tecidos ao estrogênio. O médico ainda associa a amamentação a menor incidência de diabetes tipo 2, síndrome metabólica, hipertensão e doenças cardiovasculares. "Qualquer tempo de amamentação representa ganho para a saúde materna", ressalta.

No aspecto emocional, a psicóloga e psicopedagoga infantil Bianca Berlim Zambon, de São Paulo, explica que os momentos de proximidade durante as mamadas ajudam o bebê a construir uma percepção de segurança e acolhimento. Ela alerta, porém, que o vínculo entre mãe e bebê é construído de várias formas — presença, cuidado, contato físico e olhar — e que nem toda experiência de amamentação é positiva. Dor, cansaço e pressão externa podem gerar ansiedade e frustração, tornando importantes o acompanhamento profissional e uma rede de apoio.

Os especialistas reforçam ainda que nem todas as mulheres conseguem ou desejam amamentar, por diferentes razões, e que isso não define a qualidade do cuidado materno.

Fonte: Metropoles