
A empresa americana USA Rare Earth anunciou na sexta-feira, 4 de julho de 2026, que concluiu a compra da Serra Verde, mineradora que opera em Minaçu, no interior de Goiás. A Serra Verde é a única empresa que explora terras raras comercialmente no Brasil e também a única fora da Ásia capaz de produzir os 4 elementos magnéticos essenciais de terras raras.
O negócio havia sido anunciado em abril e foi aprovado pelos acionistas da USA Rare Earth em 28 de agosto. A operação envolveu a compra de 100% da SVRE Holdings, empresa que controla a Serra Verde. O valor total ficou em cerca de US$ 2,8 bilhões, o equivalente a R$ 14 bilhões, com pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro mais 126,8 milhões de ações recém-emitidas da companhia americana.
A aquisição faz parte de uma estratégia da USA Rare Earth para montar uma cadeia de fornecimento de terras raras fora da China, país que hoje responde por mais de 90% da exploração e transformação desse tipo de material no mundo. A ideia é unir a extração de terras raras pesadas da Serra Verde com as capacidades de processamento, metalização e fabricação de ímãs da USA Rare Earth.
Em operação desde 2024, a Serra Verde está em fase de expansão. A meta é atingir 4.000 toneladas de óxidos de terras raras até o fim de 2026. Numa segunda fase, o objetivo sobe para 6.400 toneladas por ano. A longo prazo, a empresa afirmou que há potencial para dobrar a produção.
O governo dos Estados Unidos também entrou nessa jogada: o Departamento de Guerra americano anunciou um investimento de US$ 750 milhões para comprar a produção de terras raras da Serra Verde, valor acima dos US$ 500 milhões inicialmente previstos.
O executivo Thras Moraitis, ex-CEO da Serra Verde, foi nomeado presidente da USA Rare Earth e vai integrar o Conselho de Administração da empresa a partir de 1º de outubro, no lugar de Barbara Humpton. Mick Davis, presidente do Conselho da Serra Verde, também passará a integrar o Conselho da companhia americana.
A aquisição gerou debate no Brasil sobre soberania e controle de recursos estratégicos. Congressistas alertaram para o risco do país continuar exportando matéria-prima barata e importando tecnologia cara. No entanto, a Serra Verde nunca foi uma empresa brasileira: antes da compra pela USA Rare Earth, pertencia aos grupos de private equity Denham Capital e EMG, com sede nos EUA, e Vision Blue, do Reino Unido. A operação, portanto, transferiu o controle de investidores norte-americanos e britânicos para outra empresa dos Estados Unidos.
Fonte: Poder360




