
O superávit das contas dos estados brasileiros e do Distrito Federal afundou mais da metade no primeiro semestre de 2026. De acordo com o relatório RREO em Foco, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional, o resultado primário caiu 56,26%, passando de R$ 54,57 bilhões para R$ 23,87 bilhões na comparação com o mesmo período de 2025. Quando se tira a previdência dos servidores do cálculo, a queda é ainda maior: 58,79%, com o resultado caindo de R$ 54,70 bilhões para R$ 22,54 bilhões.
O principal motivo da piora é que os gastos cresceram mais do que as receitas. A receita corrente total dos estados subiu 8,08%, chegando a R$ 742,88 bilhões. Mas as despesas correntes subiram 8,98%, atingindo R$ 616,18 bilhões — bem acima da inflação oficial de 3,4% registrada de janeiro a junho de 2026.
A previdência dos servidores públicos estaduais pressiona forte as contas. São Paulo registrou o maior déficit previdenciário do semestre: R$ 13 bilhões, equivalente a 9% da sua receita corrente líquida. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com R$ 6,40 bilhões (12% da RCL), Minas Gerais com R$ 5,86 bilhões (10%) e Rio Grande do Sul com R$ 4,49 bilhões (13%). No Rio Grande do Norte, os gastos com previdência representam 36% das despesas por função, e as despesas de pessoal comprometem 68% da receita total do estado.
A deterioração não foi igual em todos os estados. Na Paraíba, as despesas correntes subiram 20% enquanto as receitas cresceram apenas 13%. Em Santa Catarina, a receita subiu 10% e as despesas avançaram 15%. No Amapá, as despesas cresceram 18% com receita subindo só 9%. O Amapá ainda lidera o ranking de dívidas pendentes, com obrigações equivalentes a 20% da receita total. Por outro lado, São Paulo conseguiu segurar os gastos: receita subiu 8% e despesas avançaram apenas 4%. No Amazonas, as receitas subiram 4% e as despesas ficaram estáveis.
Fonte: Poder360




