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Notícias/SAÚDE20/08/2026· KF News

Cientistas descobrem estrutura no crânio de ratos que pode ajudar a combater tumores cerebrais

Pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, identificaram uma estrutura imunológica dentro do crânio que pode atuar na defesa contra tumores cerebrais. O estudo foi publicado na quarta-feira, dia 19 de agosto, na revista científica Nature.

Por enquanto, os resultados foram observados apenas em ratos, mas os próprios autores apontam indícios de que estruturas semelhantes possam existir em humanos. A estrutura fica na medula óssea do crânio, bem perto do cérebro, e funciona como um centro de treinamento de células de defesa. O mecanismo lembra o que acontece nos gânglios linfáticos, onde células B se multiplicam e são preparadas para atacar agentes invasores — com a diferença de que, aqui, o processo acontece muito mais perto do cérebro, o que pode acelerar a resposta do organismo.

"Nunca tínhamos visto estruturas desse tipo em medula óssea saudável", disse o biólogo celular Jang Hyun Park, primeiro autor do estudo. Já o imunologista Jonathan Kipnis, autor sênior do trabalho, afirmou: "Esse estudo revela que a medula óssea do crânio abriga centros de respostas imunes específicas do cérebro que antes eram desconhecidos."

Para entender como tudo funciona, a equipe usou proteínas fluorescentes para acompanhar o trajeto de moléculas do cérebro até o crânio, viajando por pequenos canais que ligam o tecido cerebral à medula óssea craniana.

Nos testes com glioma, um tipo agressivo de câncer cerebral, quando a atividade imunológica nessa região foi reduzida, os tumores cresceram mais rápido e a sobrevivência dos animais caiu. Quando a resposta foi estimulada com proteínas específicas, os camundongos apresentaram maior controle do tumor e viveram mais.

Os autores destacam que ainda é cedo para aplicar os achados em humanos. Uma das hipóteses levantadas é o uso de substâncias aplicadas sob o couro cabeludo para estimular essa resposta imunológica, sem a necessidade de cirurgia direta no cérebro. "Essa descoberta muda a forma como entendemos a relação entre o sistema imunológico e o cérebro", finalizou Kipnis.

Fonte: Metropoles - Saúde