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Notícias/POLÍTICA09/09/2026· KF News

Se você não votar em outubro, alguém decide por você sem te perguntar nada

Não votar não é protesto neutro. Quem fica em casa no dia da eleição não cancela o resultado — apenas aumenta o peso do voto de todo mundo que compareceu. A eleição acontece do mesmo jeito, só que montada sem você.

Três justificativas aparecem com frequência e nenhuma resiste a uma análise simples. A primeira é que "são todos iguais." Em 4 de outubro estarão em disputa candidatos com propostas opostas sobre carga tributária, segurança pública, previdência e papel do Estado na economia. Achar que todos são ruins é uma opinião. Achar que todos são idênticos, segundo o texto, é preguiça disfarçada de ceticismo.

A segunda é que "um voto não muda nada." Em 2020, na cidade de Kaloré, no interior do Paraná, dois candidatos a prefeito terminaram a apuração com exatamente 1.186 votos cada. A prefeitura foi decidida pelo artigo 110 do Código Eleitoral, que manda eleger o mais velho em caso de empate. Nas eleições municipais de 2016, seis cidades brasileiras elegeram prefeito com apenas um voto de diferença.

A terceira é que "política não é assunto meu." Mas preço de combustível é política. Fila de exame é política. O que sobra do salário depois dos impostos é política. Quem se declara alheio continua pagando a conta integralmente, só que sem opinar.

No dia 4 de outubro, cada eleitor vota em seis cargos: deputado estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente. Se governador ou presidente não alcançarem maioria absoluta, os dois mais votados voltam à urna em 25 de outubro. Muita gente chega com só o voto para presidente definido e improvisa os outros cinco na fila — justamente os que mais interferem no dia a dia. O deputado estadual vota o orçamento de saúde e educação do estado. O deputado federal aprova ou trava reformas. O senador aprova indicações para tribunais e agências reguladoras. Quinze minutos pesquisando o histórico dos candidatos já colocam o eleitor à frente de boa parte de quem comparece.

Fonte: Jovem Pan