
A revista científica BMJ Public Health retirou da circulação um estudo publicado em 2024 que vinha sendo usado por grupos céticos em relação às vacinas contra Covid-19. O trabalho analisava dados de 47 países e apontava mais de três milhões de mortes em excesso registradas entre 2020 e 2022. Embora o texto não atribuísse diretamente essas mortes às vacinas, ele mencionava possíveis efeitos adversos ligados à imunização, e esse trecho acabou sendo usado fora de contexto em debates públicos contrários à vacinação.
Um mês depois da publicação, a própria revista abriu uma investigação. O Centro Princesa Máxima, na Holanda, onde parte dos autores trabalhava, também conduziu uma análise independente sobre a integridade do estudo. O centro concluiu que o artigo deu peso excessivo à hipótese de que vacinas e restrições poderiam explicar o excesso de mortes, sem examinar outras causas de forma adequada. Também foram identificadas seleção de dados para sustentar essa interpretação e exclusão de informações que apontavam em sentido contrário. O centro ainda destacou que o excesso de mortalidade já era um fenômeno conhecido e que o estudo não trouxe explicações consistentes para ele.
Na nota de retratação publicada em 11 de agosto, o BMJ afirmou que "a discussão sobre as causas de mortalidade é desequilibrada, carece de rigor e inclui informações incorretas". A autora principal do estudo, Saskia Mostert, defendeu o trabalho em junho deste ano durante audiência em uma subcomissão do Congresso dos Estados Unidos. Na ocasião, disse que ela e os coautores sofreram uma reação intensa após a divulgação do artigo e que tentou revisar o conteúdo para responder às críticas. A revista, porém, avaliou que as mudanças propostas não resolveriam os problemas encontrados. O BMJ também relatou dificuldades de contato durante a investigação e apontou inconsistências sobre a condução do estudo, incluindo dúvidas sobre a participação dos autores na análise dos dados.
Fonte: Metropoles - Saúde




