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Notícias/SAÚDE18/08/2026· KF News

Doença renal crônica é silenciosa e já afeta milhões de brasileiros sem que eles saibam

A doença renal crônica (DRC) é a perda progressiva e irreversível da capacidade dos rins de funcionar direito por mais de três meses — e ela avança sem avisar. Segundo o nefrologista Sergio Sloboda, diretor da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), os rins têm uma grande capacidade de compensação, e os sintomas só aparecem quando entre 50% e 70% da função renal já foi perdida.

A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a organização internacional KDIGO estimam que cerca de 10% da população mundial tem algum grau da doença. No Brasil, acredita-se que milhões de pessoas convivam com a condição sem saber.

Os principais fatores de risco são hipertensão arterial e diabetes. Também entram na lista: ter mais de 60 anos, histórico familiar de doença renal, obesidade, tabagismo, doenças cardiovasculares, uso frequente de anti-inflamatórios sem prescrição, cálculos renais de repetição, infecções urinárias recorrentes, doenças autoimunes como lúpus e apneia obstrutiva do sono. Quem já teve episódio de lesão renal aguda também merece atenção especial.

Quando a doença avança, os sintomas podem incluir inchaço nas pernas, pés e olhos, cansaço excessivo, falta de ar, náuseas, vômitos, coceira persistente, cãibras, alterações na urina e dificuldade para controlar a pressão arterial.

O diagnóstico é feito com exames de sangue, urina, imagem e, em alguns casos, biópsia renal. Sloboda alerta que esperar os sintomas pode significar perder uma oportunidade valiosa de tratamento.

No campo do tratamento, o nefrologista Bruno Zawadzki, vice-presidente de Serviços Médicos da DaVita Tratamento Renal, explica que nos estágios iniciais usam-se medicamentos como inibidores da ECA, bloqueadores do receptor de angiotensina, os chamados "flozinas" (inibidores de SGLT2) e, mais recentemente, os agonistas de GLP-1. Um estudo chamado FLOW, publicado no New England Journal of Medicine em 2024, mostrou que a semaglutida reduziu em 24% os eventos renais maiores, em 18% os eventos cardiovasculares e em 20% a mortalidade por qualquer causa em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. Nos casos mais graves, as opções são hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal — este último considerado o melhor tratamento disponível. Zawadzki destaca que o transplante pode ser feito antes mesmo do início da diálise, com melhores resultados.

Para retardar a progressão da doença, os especialistas recomendam controlar a pressão e o diabetes, evitar anti-inflamatórios sem receita, praticar atividade física regular, não fumar, manter peso saudável e fazer acompanhamento regular com nefrologista.

Fonte: Drauzio Varella