
A prévia do PIB brasileiro, medida pelo IBC-Br do Banco Central, caiu 0,22% em julho. É o segundo mês seguido de queda: em junho o recuo tinha sido de 0,64%. Os dados reforçam a percepção de que a economia brasileira está perdendo ritmo no início do 3º trimestre de 2026. Em julho, a agropecuária recuou 1,15%, a indústria caiu 0,40%, os serviços ficaram praticamente estáveis com variação de -0,01% e os impostos recuaram 0,16%. Na comparação com julho de 2025, o IBC-Br subiu 1,14%, e em 12 meses acumula alta de cerca de 1,5%.
O economista Yihao Lin, da Genial Investimentos, avalia que a perda de dinamismo não está concentrada na agropecuária e que a média móvel trimestral piorou, passando de -0,1% em junho para -0,3% em julho. Apesar disso, Lin pondera que o IBC-Br ainda opera próximo do nível mais alto de sua série histórica. A Genial projeta crescimento de apenas 0,1% do PIB no 3º trimestre e de 1,7% no ano de 2026. Felipe Rodrigo de Oliveira, da MAG Investimentos, também vê o resultado como sinal de desaceleração no período.
Com a atividade mais fraca e a inflação perdendo força — o IPCA recuou 0,32% em agosto e acumula 4,22% em 12 meses —, o mercado espera que o Copom corte a Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira, dia 16. Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, avalia que o IBC-Br abre espaço para o corte, mas destaca que a sinalização sobre os próximos passos será o ponto mais importante da decisão. Lin mantém como cenário base que esse corte de 0,25 ponto percentual será o último de 2026, mas considera que novas leituras benignas de inflação podem abrir espaço para outro corte em novembro. Fatores como expectativas de inflação acima da meta, cenário fiscal, possibilidade de El Niño mais intenso e conflito no Oriente Médio são apontados como riscos que pedem cautela. A decisão do Copom será divulgada a partir das 18h30.
Fonte: Poder360




