
O mercado de trigo iniciou agosto com preços mais firmes no Paraná, e o motivo principal é a combinação entre pouca oferta e alta procura por cereal de qualidade. Segundo levantamento do Cepea — Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada —, a disputa entre compradores fez as cotações voltarem, em termos reais, ao patamar registrado em agosto de 2025.
Grande parte dos produtores já tem poucos volumes restantes da safra 2025, o que reduziu bastante a liquidez do mercado e limitou o fechamento de novos negócios. As negociações ficaram concentradas em operações pontuais, principalmente com lotes de melhor qualidade. Sem oferta suficiente, os compradores passaram a elevar gradualmente suas propostas para garantir matéria-prima e recompor os estoques.
A pressão é ainda maior no mercado spot, onde a necessidade de entrega imediata aumenta a competição. As indústrias moageiras correm para assegurar matéria-prima e manter o abastecimento nos próximos meses.
Além da oferta restrita, o clima no Sul do Brasil também coloca o mercado em alerta. O Cepea aponta que a última semana de julho foi marcada por chuvas expressivas e ventos intensos, considerados os primeiros efeitos do El Niño na região. Ainda é cedo para medir os impactos na produção, mas produtores, cooperativas e compradores já estão de olho nos possíveis reflexos sobre a produtividade e a qualidade da nova safra.
O Paraná liderou o movimento de valorização. Analistas destacam que, enquanto a oferta permanecer restrita e o clima seguir incerto, a tendência é de preços sustentados, especialmente para o trigo de melhor qualidade, que é o segmento mais disputado pela indústria.
Fonte: Portal Agroneg.




