
O mercado do trigo está com os preços firmes e em alta, tanto no Brasil quanto no exterior. A combinação entre pouco produto disponível, riscos de qualidade na nova safra e a guerra entre Rússia e Ucrânia afetando as exportações pelo Mar Negro está deixando o mercado tenso e os preços elevados.
No Rio Grande do Sul, os estoques da safra velha estão quase no fim: restam entre 60 mil e 70 mil toneladas disponíveis fora dos moinhos. As negociações chegam a R$ 1.500 por tonelada para lotes de melhor qualidade. O indicador médio do Cepea estava em R$ 1.456,52 por tonelada no início de setembro, e em Panambi a saca subiu para R$ 70,02. Em Santa Catarina, as ofertas chegam a R$ 1.550 por tonelada, dificultando o fechamento de negócios com os moinhos. No Paraná, os preços alcançam R$ 1.500 por tonelada no Norte do estado e R$ 1.450 nos Campos Gerais.
A giberela, doença causada pelo excesso de umidade, ameaça as lavouras gaúchas que já chegaram ao florescimento. O fungo pode reduzir a produtividade, piorar a qualidade industrial do trigo e aumentar o risco de contaminação por micotoxina DON. Se os problemas de qualidade forem confirmados em boa parte da produção, os moinhos devem buscar trigo de outros estados ou importado.
Em Chicago, os contratos futuros do trigo encerraram em alta na terça-feira (8). O vencimento de dezembro avançou 1,77%, para US$ 7,47 por bushel, impulsionado pela falta de avanço nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. Os ataques a portos e instalações logísticas dos dois países reduziram o fluxo de grãos pelo Mar Negro. Compradores asiáticos já buscaram pelo menos 500 mil toneladas de trigo da Austrália e da Argentina em negociações recentes. As inspeções norte-americanas para exportação somaram 342.733 toneladas na semana até 3 de setembro, bem abaixo das 431.977 da semana anterior. O USDA projeta que o Brasil importará 7,5 milhões de toneladas no ciclo entre outubro de 2026 e setembro de 2027. Na Ucrânia, a colheita está praticamente encerrada, com 24,91 milhões de toneladas colhidas em 98% da área prevista.
Fonte: Portal Agroneg.




