
Nesta quinta-feira, dia 10 de setembro, o mercado financeiro brasileiro tomou um rumo completamente diferente do que acontecia lá fora. Tudo por causa de uma nova pesquisa eleitoral da AtlasIntel, que colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em desvantagem numérica em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da disputa presidencial.
O dólar, que subia de manhã, virou ainda antes do almoço e fechou em queda de 0,18%, cotado a R$ 5,10. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), que também abriu em baixa, encerrou o dia em alta de 1,42%, chegando aos 188,2 mil pontos.
Além da pesquisa, o candidato Augusto Cury (Avante) jogou mais lenha na fogueira ao declarar que não apoiaria Lula "em hipótese alguma" num eventual segundo turno. A maior parte do mercado é declaradamente favorável à eleição de Flávio ao Planalto, com o argumento de que uma mudança de governo poderia aliviar o problema fiscal do país e reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública.
Do lado de fora do Brasil, o clima era bem diferente. Os combates entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio se intensificaram nos últimos dias, levando o petróleo às alturas. O barril do tipo Brent subiu 6,43%, chegando a US$ 107,63, enquanto o WTI, referência nos EUA, subia 6,69%, a US$ 102,48. As bolsas de Nova York fecharam em queda: o S&P 500 caiu 0,56%, o Dow Jones recuou 0,61% e o Nasdaq perdeu 0,62%. As bolsas europeias também fecharam no vermelho.
Com a pressão da inflação gerada pelo conflito, o Banco Central Europeu elevou os juros na zona do euro em 0,25 ponto percentual, para 2,5% ao ano. Nos EUA, o índice de preços ao produtor (PPI) subiu 0,4% em agosto. Na avaliação do economista Vitor Kayo, da Nomad, esses dados deixam o Federal Reserve com pouco espaço para afrouxar o discurso duro sobre a inflação, mantendo viva a possibilidade de uma nova alta de juros já na semana que vem. Na avaliação de Emerson Junior, da corretora Convexa, o avanço da Bolsa e a queda do dólar "refletiram a repercussão da nova pesquisa eleitoral", e o mercado brasileiro simplesmente "ignorou o pessimismo externo".
Fonte: Metropoles




