Rádio Melodia Europa

Notícia

SAÚDE

Notícias/SAÚDE10/09/2026· KF News

Pesquisador explica por que o celular vicia tanto e como voltar a sentir prazer em outras atividades

Passar horas no celular sem perceber é muito comum, e a explicação está no jeito que o cérebro lida com o prazer. O musicoterapeuta e pesquisador Gustavo Gattino aponta que o celular provoca a chamada saliência de incentivo: um estímulo simples, como uma notificação, vira algo atraente por causa da recompensa que oferece. O aparelho libera dopamina de forma imediata e sem esforço, o que sobrecarrega o córtex orbitofrontal — parte do cérebro que deveria controlar os impulsos. Quando esse controle falha, a atenção fica capturada e a vontade de continuar nas telas só aumenta. Depois de um pico de dopamina, ela cai para um nível menor do que estava antes, e o sistema nervoso interpreta que precisa buscar mais estímulo.

Atividades como exercício físico funcionam diferente: liberam dopamina em cerca de 30 a 40 minutos, sem causar dependência. Nas artes — música, dança, teatro e artes visuais —, além da dopamina, o corpo libera serotonina e noradrenalina, gerando relaxamento. O contato com a natureza também ativa o córtex somatossensorial, mobilizando todos os sentidos. Segundo Gattino, quando a pessoa realiza uma atividade sem saber o resultado e a surpresa é positiva, a liberação de prazer hedônico é muito mais significativa.

Sobre como reduzir o uso do celular, ainda não há consenso científico entre cortar de uma vez ou diminuir aos poucos. Alguns estudos indicam benefícios da redução gradual em até três semanas. Entre as dicas práticas estão: deixar a tela em escala de cinza, desativar notificações não urgentes, usar aplicativos com limite de uso diário, criar zonas sem celular como quarto e mesa de jantar, e deixar o telefone em outro cômodo na hora de dormir. O pesquisador sugere também se perguntar o que a tela está substituindo na rotina — e trocar esse tempo por livros, crochê, caça-palavras ou outras atividades.

Fonte: Drauzio Varella