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Notícias/SAÚDE21/10/2026· KF News

Pesquisa com 2.338 médicos revela abismo entre UTIs públicas e privadas no Brasil

Foto: Aline Massuca/Metrópoles

Uma pesquisa feita com 2.338 médicos que atuam em unidades de alta complexidade em hospitais do Brasil mostrou que existe um abismo entre as UTIs do SUS e as particulares. O levantamento foi realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, a Amib, com apoio do Conselho Federal de Medicina, o CFM.

Só 22,7% dos médicos disseram que a rede pública tem disponibilidade totalmente adequada para cuidar dos pacientes. Nas UTIs privadas, esse número sobe para 57,7%. Na oferta de remédios, 16,1% dos médicos consideraram o serviço público inadequado ou completamente inadequado, enquanto nas UTIs particulares esse número cai para 3,8%.

Na quantidade de leitos, 32,6% avaliaram a disponibilidade no SUS como ruim, e 27,4% deram a pior nota possível para os protocolos de atendimento da rede pública. Nas UTIs privadas, os números foram de 7,7% e 14,3%, respectivamente.

A pesquisa também avaliou as equipes. Nota máxima para equipe multiprofissional especializada foi dada por 39,2% dos médicos na rede privada, contra 23% no SUS. Para enfermeiros especializados em tratamento intensivo, 25,1% elogiaram o serviço particular e 16,9% o público. Na comunicação entre equipes de diferentes partes do hospital, 30,7% deram nota máxima para a rede privada e 14,5% para o SUS. Nos protocolos de passagem de plantão, 27,8% elogiaram as UTIs particulares e 14,5% escolheram a melhor nota para a rede pública.

O presidente da Amib, Cristiano Franke, explicou que a diferença está na capacidade de resposta das equipes para atender um paciente crítico, o que envolve leito disponível, remédios e protocolos bem estabelecidos. Ele defendeu que reduzir essa desigualdade precisa entrar na agenda de prioridades da saúde pública brasileira. Os resultados serão compartilhados com gestores públicos e privados e autoridades de fiscalização para fomentar investimentos e mudanças na rede hospitalar de urgência.

Fonte: Metropoles