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Notícias/NEWS04/08/2026· KF News

Pedidos de recuperação judicial batem recorde no Brasil com 6.341 empresas em dificuldade no 1º semestre de 2026

O Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com um número recorde de empresas em recuperação judicial. De acordo com o Monitor RGF-Bizdoc, junho encerrou com 6.341 empresas nessa situação, alta de 6,2% em relação ao fim de 2025. O crescimento foi menor do que no mesmo período do ano anterior, quando havia sido de 7,3%.

O semestre teve duas fases bem distintas. O número de empresas em recuperação subiu mês a mês até maio, quando bateu o recorde histórico de 6.513 companhias. Em junho, houve recuo de 172 empresas. Para Cláudio Damasceno, sócio das consultorias RGF e Bizdoc e coordenador do Monitor, um único mês não representa reversão de tendência, mas é o primeiro sinal de estabilização após uma sequência de altas.

Uma mudança importante no perfil das empresas em recuperação judicial também foi identificada. Desde o início de 2023, o número de microempresas nessa situação praticamente triplicou, passando de 513 para 1.575 CNPJs. Entre as pequenas empresas, a incidência cresceu 69%, e entre as médias, 36%. Já entre as grandes e muito grandes, a incidência caiu, pois muitas estão migrando para a recuperação extrajudicial, facilitada por mudanças na legislação.

Advogadas especializadas em insolvência empresarial ouvidas pela reportagem apontam juros elevados, crédito caro, aumento do endividamento e demora das empresas em buscar ajuda como as principais causas do cenário. Para a advogada Caroline Leite Barreto Dinucci, o problema começa com o adiamento de investimentos e evolui para cortes de gastos, atrasos tributários e acúmulo de dívidas. Daniela Lubianca, da Tahech Advogados, destaca que muitas empresas passaram anos renegociando dívidas sem conseguir recuperar o caixa. Ellen Leão, da LA Advocacia, descreve o cenário como uma erosão gradual das condições financeiras, e não uma ruptura súbita.

Fonte: Poder360