
A dor é um mecanismo de proteção do corpo, mas na dor crônica esse sistema pode ficar desregulado. Mesmo depois que a lesão inicial melhora ou é tratada, as vias nervosas responsáveis por transmitir a dor podem continuar excessivamente ativas. É como um alarme de incêndio que não para de disparar mesmo depois que o fogo foi controlado.
Quando remédios, fisioterapia, infiltrações e cirurgias já não resolvem, pode ser necessário atuar diretamente na maneira como o sistema nervoso processa esses sinais. É o que propõe a neuromodulação, técnica que, ao contrário de procedimentos que cortam ou destroem nervos, usa pequenos impulsos elétricos para modificar o funcionamento dos circuitos da dor sem destruí-los.
Uma das técnicas mais utilizadas é a estimulação da medula espinhal: finos eletrodos são posicionados próximos à medula e modulam a transmissão dos sinais dolorosos, funcionando como uma espécie de marca-passo para a dor. Existe também a estimulação do gânglio da raiz dorsal, o DRG, indicada para dores em regiões específicas como pé e tornozelo.
Os dispositivos mais modernos trabalham em circuito fechado, ou seja, além de estimular, eles medem a resposta do sistema nervoso e ajustam automaticamente a intensidade do estímulo ao longo do dia. Há ainda o padrão de estimulação chamado Burst, que, segundo estudos citados na matéria, pode influenciar não só a intensidade da dor, mas também a forma como ela é sentida pelo paciente.
A neuromodulação não é indicada para todo tipo de dor crônica. É preciso identificar o mecanismo da dor, avaliar os tratamentos já realizados e selecionar bem os pacientes. Para quem tem indicação, a técnica pode significar redução da dor, mais capacidade de movimento e retomada de atividades do dia a dia. As informações são do neurocirurgião Dr. Eduardo Urbano, CRM/SP 108896.
Fonte: Jovem Pan




