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Notícias/AGRONEGÓCIO10/07/2026· KF News

Mercado do boi gordo fecha semana em queda com impasse entre pecuaristas e frigoríficos

O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com poucos negócios e baixa liquidez nas principais regiões pecuárias do Brasil. O cenário é de impasse: os pecuaristas resistem em vender pelos preços atuais, enquanto os frigoríficos mantêm pressão nas cotações e operam, em muitos casos, com escalas de abate reduzidas. Segundo análise da Safras & Mercado, a negociação segue lenta por falta de acordo entre compradores e vendedores. Mesmo que os produtores tentem segurar a oferta, o custo de manter o animal por mais tempo na propriedade aumenta bastante — o que limita essa estratégia, especialmente para quem usa confinamento.

Outro fator que pesa é o esgotamento quase total da cota de exportação destinada à China, principal compradora da carne bovina brasileira. Com menos volume embarcado para os chineses, parte das indústrias opera com mais capacidade ociosa e compra menos gado, reduzindo a competição na aquisição dos animais e pressionando os preços para baixo.

O levantamento realizado em 9 de julho mostrou queda nas cotações da arroba em quase todas as praças, na modalidade a prazo: São Paulo (Capital) R$ 330,00, queda de 1,49%; Goiás (Goiânia) R$ 315,00, recuo de 1,56%; Minas Gerais (Uberaba) R$ 310,00, baixa de 1,59%; Mato Grosso do Sul (Dourados) R$ 320,00, estável; Mato Grosso (Cuiabá) R$ 320,00, queda de 3,03%; Rondônia (Vilhena) R$ 315,00, retração de 1,56%.

No mercado atacadista, os preços ficaram relativamente estáveis durante a semana, mas o consumo ficou abaixo do esperado. A eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo reduziu a expectativa de aumento nas vendas, e a carne bovina segue perdendo espaço para proteínas mais baratas, especialmente o frango. O quarto dianteiro caiu 4,76%, chegando a R$ 20,00 por quilo, enquanto o quarto traseiro ficou estável em R$ 25,50 por quilo.

Do lado positivo, as exportações abriram julho em ritmo forte. Nos três primeiros dias úteis do mês, o Brasil embarcou 45,169 mil toneladas de carne bovina, gerando receita de US$ 288,346 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A média diária foi de US$ 96,115 milhões em faturamento, 15,056 mil toneladas exportadas e preço médio de US$ 6.387,70 por tonelada. Em comparação com julho do ano anterior, a receita diária cresceu 43,9%, o volume médio exportado subiu 25,1% e o preço médio por tonelada valorizou 15%.

Para as próximas semanas, o mercado deve seguir cauteloso. A evolução das escalas de abate, o comportamento das exportações — especialmente para a China — e a disponibilidade de animais terminados em confinamento continuarão sendo os principais fatores na formação dos preços da arroba.

Fonte: Portal Agroneg.