
O mercado brasileiro de trigo segue com preços sustentados pela baixa disponibilidade de produto da safra anterior. Mesmo com uma queda nas cotações da Bolsa de Chicago — movimento interpretado pelo mercado como realização de lucros após valorizações recentes —, os fundamentos no Brasil continuam favoráveis para o cereal.
No Rio Grande do Sul, as negociações acontecem de forma pontual. O trigo comum foi negociado em torno de R$ 1.300 por tonelada no interior do estado, o trigo melhorador chegou a R$ 1.350 e o produto de melhor qualidade atingiu R$ 1.460 CIF. No mercado de balcão, o preço pago ao produtor recuou para R$ 69 por saca em Panambi. A semeadura gaúcha está praticamente encerrada, com 97% dos 814,2 mil hectares previstos já plantados — uma área 33,4% menor do que a da temporada passada. Chuvas fortes e ventos intensos recentes acendem alerta sobre o desenvolvimento das lavouras.
Em Santa Catarina, o estoque da safra anterior praticamente zerou. O último negócio com produto catarinense foi fechado em torno de R$ 1.350 FOB mais frete, enquanto o trigo gaúcho era ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400, além do frete e ICMS. No Paraná, os preços estão entre os mais altos do país: R$ 1.450 CIF para entrega imediata na região de Curitiba. Para a nova safra paranaense, as indicações variam entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, mas sem contratos fechados.
Outro ponto de atenção é a qualidade dos estoques. Lotes com altos índices de DON, uma micotoxina que prejudica o uso industrial do cereal, aparecem com mais frequência. Há também preocupação com a qualidade do trigo argentino, fornecedor importante para os moinhos brasileiros. No cenário global, fatores como estoques reduzidos, crescimento do consumo acima da produção e riscos às exportações no Mar Negro seguem dando suporte aos preços mundiais.
Fonte: Portal Agroneg.




