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Notícias/SAÚDE21/08/2026· KF News

Hormônio ligado ao apetite também protege o fígado contra inflamação, aponta estudo da Universidade McMaster

Um hormônio chamado GDF15, que já era associado ao controle do apetite e à perda de peso, pode também proteger o fígado contra inflamação e cicatrização. É o que aponta um estudo de pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá, publicado na revista Cell Metabolism no dia 10 de agosto.

Até agora, os efeitos benéficos do GDF15 eram explicados principalmente pela perda de peso. O novo estudo muda essa visão: os cientistas mostraram que o hormônio age por uma via própria, que não depende do emagrecimento.

Para entender o mecanismo, os pesquisadores usaram modelos de camundongos com uma forma avançada de doença hepática gordurosa. Os resultados mostraram que o GDF15 ativa um sinal que começa no cérebro e, pelo sistema nervoso, chega até o fígado. Esse processo leva à liberação de glicocorticoides, que são hormônios que ajudam o organismo a regular o estresse e a inflamação. Com isso, a inflamação no fígado cai e a formação de tecido cicatricial diminui.

O que surpreendeu os pesquisadores é que todos esses efeitos foram observados sem nenhuma mudança na alimentação, no peso corporal ou na quantidade de gordura acumulada no órgão.

A descoberta tem importância prática porque a inflamação persistente no fígado é um dos principais fatores por trás da progressão de doenças graves, como cirrose e câncer de fígado. Mesmo quando o paciente emagrece, esse processo inflamatório nem sempre é totalmente controlado.

Pesquisas anteriores da mesma equipe já tinham mostrado que o GDF15 ajuda o corpo a manter o gasto energético durante o emagrecimento. O novo estudo revela uma função diferente e complementar: a proteção direta do fígado.

Os achados ainda são baseados em modelos experimentais. Estudos em humanos serão necessários para confirmar se o mesmo efeito ocorre em pacientes. Mesmo assim, os dados já ajudam a apontar caminhos para tratamentos que combinem controle de peso com redução da inflamação no fígado, atuando também nos mecanismos que sustentam a lesão ao longo do tempo.

Fonte: Metropoles - Saúde