
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16/07) que o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil tem motivação política, e não comercial. Ele falou por 6 minutos no Palácio Itamaraty, em Brasília, ao lado de negociadores dos dois países, entre eles o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, Maurício Lyrio, e o embaixador dos EUA para Assuntos Econômicos, Phillip Fox Gough.
Vieira disse que, desde março de 2025, o Brasil realizou mais de 30 reuniões com autoridades americanas, em níveis presidencial, ministerial e técnico, e que houve 11 contatos diretos com o secretário de Estado Marco Rubio e com o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, incluindo encontros entre os presidentes Lula e Trump.
O chanceler afirmou que a tarifa de 50% anunciada por Trump em julho de 2025 já tinha motivação política, e que uma carta do presidente americano vinculava a sobretaxa ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Classificou como "inaceitáveis" as declarações de Rubio, que nas redes sociais responsabilizou o governo Lula pela aplicação das tarifas, dizendo que Lula "não negociou de boa-fé" e que "colocou seu próprio ego à frente do bem-estar do povo brasileiro".
Vieira afirmou ainda que os EUA exigiram a "capitulação" do Brasil, com abertura irrestrita de setores da economia sem oferecer contrapartidas. Rejeitou as acusações sobre o Pix, chamando-as de "descabidas", e disse que as alegações relacionadas ao desmatamento "não têm lastro na realidade". A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, após investigação dos EUA com base na Seção 301. A reunião técnica mais recente entre os dois países havia ocorrido na terça-feira (14/07), dois dias antes do anúncio do novo tarifaço.
Fonte: Poder360




