
Fabricantes independentes de celulares e laptops já estão agindo para tentar sobreviver a uma crise de chips de memória que, segundo eles, deve se estender até 2027. As medidas incluem redesenho de produtos, testes em chips recebidos para detectar falsificações e repasse de custos ao consumidor.
Para executivos de três empresas ouvidas pela reportagem, o maior problema não é o preço dos chips, mas a disponibilidade. Raymond van Eck, diretor executivo da Fairphone, fabricante holandesa de telefones reparáveis, foi direto: "Se você não tiver alocação, está fora do jogo de qualquer maneira."
Em julho, o CEO da SK Hynix, fabricante de memória, declarou que 2027 será "o pior ano da história do setor em termos de oferta", com a demanda superando a capacidade de produção a partir de 2030. Os chips de memória podem representar até 60% do valor de um celular, o que já está tornando a fabricação de aparelhos básicos inviável economicamente.
Uma projeção da Counterpoint Research, divulgada em junho, aponta queda de 13,9% nas remessas de smartphones em 2025, chegando a 1,08 bilhão de unidades — o maior declínio anual já registrado. A TrendForce prevê alta de 13% a 18% nos preços de memória DRAM convencional neste trimestre, após alta de 93% a 98% no primeiro trimestre.
A Jolla, fabricante finlandesa fundada por ex-engenheiros da Nokia, informou que os volumes combinados de armazenamento e DRAM chegaram ao pico no final de março e se mantiveram nesse nível desde então. O CEO Sami Pienimäki disse esperar normalização do fornecimento somente a partir de 2028.
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