
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas coloca em risco um dos ambientes marinhos mais sensíveis e raros do planeta. A costa amapaense atingiu o nível máximo de sensibilidade ambiental, índice 10, de acordo com a doutora em Geologia e Geofísica Marinha Valdenira dos Santos, que concedeu entrevista à Rede Amazônica. Segundo ela, um eventual vazamento seria muito mais difícil de conter do que em outras regiões, porque a costa é dominada por manguezais e floresta de várzea.
A região abriga o maior corredor contínuo de manguezais do mundo, que se estende do Amapá ao Maranhão. Esse ecossistema protege o litoral da erosão, armazena carbono e funciona como berçário de peixes que sustentam a economia local. Também foram descobertos em 2016 recifes de coral raros, que vivem nas águas turvas do Rio Amazonas e abrigam mais de 40 espécies de corais, 60 espécies de esponjas e peixes de valor comercial.
Valdenira chama atenção ainda para a falta de dados sobre a faixa entre o litoral e o mar profundo. Ela destaca que a corrente marítima da região chega a 2 metros por segundo e que quase nada se sabe sobre as correntes litorâneas. A pesquisadora também aponta um risco imediato: a navegação diária de navios-tanque pelo Canal do Norte, entrada da hidrovia do Amazonas, sem um plano regional de contingência.
O Greenpeace Brasil alertou que a arrecadação financeira não apaga os riscos socioambientais e climáticos. A ONG apontou incoerência entre as metas ambientais do Brasil no exterior e a expansão da exploração de petróleo no país. No leilão da ANP realizado em 2025, 19 blocos foram arrematados na Foz do Amazonas e aguardam licenciamento, enquanto outros 36 seguem em estudo. A Petrobras afirma que atua com responsabilidade ambiental, atendeu todas as exigências dos órgãos reguladores e apresentou planos de emergência para o Bloco FZA-M-59.
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