
O economista Marcos Troyjo, ex-presidente do NDB, o Novo Banco de Desenvolvimento conhecido como Banco dos Brics, afirma que as dúvidas sobre o controle das contas públicas encarecem o crédito para as empresas no Brasil. Para ele, "a economia é o que ela é, mais o que as pessoas acham que ela será", o que significa que a percepção negativa sobre o futuro já afeta decisões de investimento no presente.
Com a Selic em 14% ao ano desde 6 de agosto de 2026, linhas de crédito ficam mais caras para financiar capital de giro, estoques, máquinas e projetos de expansão. Se a perspectiva é de juros elevados por mais tempo, as empresas tendem a adiar investimentos, evitar novas dívidas e rever planos de crescimento.
Troyjo usa uma metáfora para explicar como o governo afeta o mercado: segundo ele, o setor público entra na disputa por crédito com uma "boca gigante" para financiar sua própria dívida, aumentando a competição com o setor privado e encarecendo ainda mais o dinheiro para as empresas. O efeito é especialmente pesado em projetos de longo prazo, como infraestrutura, tecnologia e expansão produtiva.
O quadro fica mais complexo quando o governo adota medidas de estímulo ao crédito enquanto o Banco Central tenta conter a inflação com juros altos. O próprio BC, na ata da reunião de janeiro de 2025, apontou que a política fiscal expansionista e o aumento nas concessões de crédito davam suporte ao consumo justamente quando a autoridade monetária buscava desacelerar a economia. Já na ata de maio de 2024, o Copom alertou que o crédito direcionado e as incertezas sobre a dívida poderiam elevar a taxa de juros neutra e reduzir a eficácia da política monetária.
Para Troyjo, uma sinalização crível de controle dos gastos poderia melhorar as expectativas e permitir que o mercado aceitasse uma correção gradual das contas públicas em um horizonte de 36 a 48 meses. Sem isso, as empresas brasileiras seguem perdendo competitividade frente a concorrentes de países onde o crédito é mais barato.
Fonte: Poder360




