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Notícias/POLÍTICA18/09/2026· KF News

Ex-cunhado de Gilmar Mendes foi contratado por Vorcaro com contrato de R$ 500 mil mensais enquanto ministro julgava faculdades

Foto: Reprodução

Diálogos obtidos pela reportagem indicam que Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho e ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do STF, foi contratado em 2024 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para tratar de interesses ligados a universidades privadas. As conversas entre Vorcaro e um número atribuído a Chiquinho aconteceram pelo menos de abril de 2024 a junho de 2025, exatamente o período em que Gilmar relatava ações no Supremo sobre a abertura de novos cursos de medicina. O celular de Vorcaro foi apreendido pela Polícia Federal em investigação.

Os diálogos mostram que, em setembro de 2024, Vorcaro negociou um contrato de R$ 500 mil mensais pelos serviços de Chiquinho, com uma parcela extra de R$ 800 mil no primeiro pagamento. Chiquinho confirmou ter assinado contrato com a Super Empreendimentos, empresa investigada pela PF por suspeita de ser canal para pagamentos a uma milícia privada e a agentes públicos. Ele negou, porém, ter atuado para aproximar Gilmar e Vorcaro, e não informou os valores nem os serviços que seriam prestados.

Em abril de 2024, uma mensagem atribuída a Chiquinho aconselhou Vorcaro a "começar uma relação direta" com Gilmar durante evento em Londres. No mês seguinte, outro diálogo sugere que Chiquinho teria jantado com Gilmar e o ministro Cristiano Zanin e conversado sobre assuntos "de nosso interesse" — o que Chiquinho nega, dizendo que isso não consta em mensagem partida do seu telefone.

Os diálogos também trazem menções ao Ministério da Educação, ao documento chamado "padrão decisório cursos de medicina" e a agendas com o então ministro Camilo Santana, atual senador pelo PT do Ceará. Em junho de 2024, mensagem atribuída a Chiquinho cita que estava em Fortaleza no aniversário de Camilo junto com Gilmar e pede para Vorcaro ligar "para falar com os dois". Camilo negou ter recebido pedidos de Vorcaro por meio de Chiquinho. Gilmar, por sua assessoria, afirmou que nunca tratou de pauta do MEC com Vorcaro ou Chiquinho e que votou a favor do governo, não das universidades, na ação sobre os novos cursos.

Fonte: Jornal de Brasília