
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, um documento pedindo que a conduta do ministro André Mendonça seja apurada. O caso gira em torno de um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ocorrido em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter, em São Paulo, fundado pelo próprio Mendonça. No dia seguinte ao encontro, Mendonça pediu vista no julgamento de uma cautelar sobre concessões de serviços funerários, cemiteriais e de cremação em São Paulo, e o julgamento foi suspenso. Quando o caso voltou, em abril de 2025, Mendonça votou contra a cautelar de Dino.
Na decisão, Dino reúne uma série de conexões entre o Banco Master e o setor funerário discutido no processo. O banco aparece como um dos principais cotistas de um fundo imobiliário com 20% das ações da Cortel, concessionária do setor. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, teria assinado atas da Cortel com e-mails institucionais do Banco Master e do Banco Máxima. O irmão de André Mendonça, Alexandre, atua na agência reguladora municipal que fiscaliza justamente o setor funerário, tendo sido nomeado superintendente em julho de 2024. O Instituto Iter, fundado por Mendonça, firmou contratos de R$ 380 mil com a Prefeitura de São Paulo e de aproximadamente R$ 1,63 milhão com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação.
O próprio Dino ressalva na decisão que reunir esses fatos não significa afirmar que Mendonça foi influenciado por interesses externos. A apuração depende de autorização do plenário do STF e deverá garantir contraditório e ampla defesa a Mendonça.
Fonte: Jovem Pan




