
O ministro Flávio Dino, do STF, determinou nesta terça-feira (15) o envio de novos elementos ao presidente da Corte, Edson Fachin, indicando possíveis conflitos de interesses na atuação do ministro André Mendonça em um processo sobre concessão de cemitérios em São Paulo.
De acordo com a decisão, o Banco Master e a Master Corretora, do empresário Daniel Vorcaro, administravam o fundo imobiliário Brazilian Graveyard and Death Care Services, que detém 20% da Cortel, uma das principais concessionárias de cemitérios privatizados da cidade. Segundo Dino, Vorcaro investiu mais de R$ 154 milhões no fundo.
Um dos pontos centrais é um encontro entre Mendonça e Vorcaro no dia 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter, em São Paulo — um dia depois de Dino ter determinado medidas de transparência e controle de preços das concessionárias. Mendonça confirmou o encontro e disse que ele ocorreu a pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha. Dino também cita que Zettel, cunhado de Vorcaro, tem ligação com a igreja e era conselheiro da Cortel.
No dia seguinte ao encontro, Mendonça pediu vista do processo, interrompendo o julgamento. Ao devolvê-lo, em 4 de abril, apresentou voto contrário às medidas de Dino e se posicionou a favor das concessionárias.
Dino ainda menciona o irmão de Mendonça, Alexandre de Almeida Mendonça, que integra a SP Regula, agência responsável pela fiscalização dos cemitérios concedidos em SP. Ele assumiu o cargo de superintendente em julho de 2024 e foi promovido a secretário-executivo em maio de 2026. O ministro também cita que o Instituto Iter, fundado por Mendonça, fechou contrato de R$ 380 mil com a Prefeitura de São Paulo, sem licitação, meses após o voto de Mendonça no processo.
O próprio Dino ressalva que os fatos não permitem afirmar que Mendonça cometeu irregularidade, mas defende que a quantidade e a proximidade temporal dos eventos justificam uma apuração pelas autoridades competentes.
Fonte: CNN




