
As compras internacionais feitas por pequenas encomendas cresceram 74% em agosto de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025. O número de declarações de importação foi de 26,5 milhões, ante 15,2 milhões um ano antes. Em valores, as compras saltaram de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, uma alta de 79%. Os dados são da Receita Federal e foram compilados pela Abit, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.
A Abit liga parte desse crescimento ao fim da chamada "taxa das blusinhas". Em 12 de maio de 2026, o presidente Lula zerou por Medida Provisória o Imposto de Importação de 20% que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50. A MP foi aprovada pela Câmara e pelo Senado em 3 de setembro e sancionada por Lula em 10 de setembro, virando a lei 15.502 de 2026. A legislação também reduziu de 60% para 30% o imposto sobre compras entre US$ 50 e US$ 3.000 e criou mecanismos contra fraudes e fracionamento de encomendas. Mesmo com o fim do imposto federal, o ICMS estadual ainda continua valendo.
A Abit se opõe à isenção. A entidade diz que a mudança aprofundou a diferença tributária entre produtos importados e fabricados no Brasil. Segundo a associação, a produção têxtil caiu 6,8% e a de confecção recuou 8,2% em julho de 2026. O setor teria perdido mais de 13.000 empregos formais até junho. A cadeia têxtil e de confecção reúne mais de 25.000 empresas e emprega cerca de 1,3 milhão de pessoas diretamente. A Abit defende equivalência tributária, mais fiscalização e combate ao subfaturamento.
Fonte: Poder360




