
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Júlio Arcoverde (PP-PI) mantêm familiares empregados nos gabinetes um do outro no Congresso Nacional. A irmã de Ciro, Alessandra Nogueira Lima, trabalha como secretária parlamentar no gabinete de Júlio Arcoverde na Câmara dos Deputados. Ela entrou no cargo em 23 de abril de 2025 e recebeu, em agosto de 2026, R$ 11.233,68 de salário, mais R$ 1.860,44 em auxílios.
Do outro lado, o filho do deputado, Júlio Ferraz Arcoverde Filho, trabalha no escritório de apoio de Ciro Nogueira em Teresina desde 2020. Em agosto de 2026, a remuneração básica dele foi de R$ 12.985,57. Após descontos de R$ 3.428,32, ele recebeu R$ 9.737,87 líquidos, mais R$ 1.833,54 de auxílio-alimentação. Além do cargo no Senado, ele aparece em registros empresariais como sócio-administrador de três empresas e titular de uma sociedade de advocacia.
Ciro Nogueira não respondeu ao contato do Metrópoles. Júlio Arcoverde afirmou que não lembra a data da contratação do filho, mas disse que "não era nem deputado federal" quando isso aconteceu.
Esse não é o primeiro caso ligando os dois. Em junho de 2026, o Metrópoles revelou que Júlio Arcoverde e o deputado Átila Lira (PP-PI) pagaram faturas de cartões de crédito de Ciro Nogueira em junho de 2024, somando R$ 13,6 mil e R$ 3,4 mil, respectivamente. Os dados constam de relatórios do Coaf divulgados pelo STF. Segundo o Coaf, os pagamentos "podem configurar artifício para burla da identificação da origem e do responsável final dos recursos". Os cartões eram emitidos pelo Banco de Brasília (BRB).
A prática de empregar parentes também marca o histórico do próprio Ciro. Entre 1990 e 2000, quando era deputado federal, ele empregou o pai, a mãe e quatro irmãos no gabinete na Câmara. O nepotismo só passou a ser considerado inconstitucional em 2008, quando o STF decidiu que a contratação de parentes contraria os princípios da impessoalidade, moralidade e eficiência.
Fonte: Metropoles




