
O preço do diesel nos Estados Unidos bateu recorde num momento muito delicado: a temporada de colheita de soja e milho, duas das principais commodities agrícolas do país. Segundo a Associação Automobilística Americana (AAA), o combustível chegou a US$ 6,05 por galão na última sexta-feira. Isso representa uma alta de 60% em relação ao período anterior à guerra entre EUA, Israel e Irã, que começou no fim de fevereiro, quando a média nacional era de cerca de US$ 3,76 por galão.
A disparada está ligada à alta do preço do petróleo e às interrupções no tráfego de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz. Segundo Paul Mitchell, professor de economia agrícola e aplicada da Universidade de Wisconsin-Madison, o diesel é indispensável em todas as etapas: tirar o grão do campo, levá-lo até a propriedade e depois transportar até os pontos de venda.
O produtor de milho e soja Jason Kurtz, de Forest City, no Missouri, contou que está pagando o dobro pelo diesel neste ano. Só a colheitadeira dele consome cerca de 200 galões — o equivalente a 760 litros — de combustível por dia, e a previsão era utilizá-la durante 30 dias, sem contar o diesel de tratores e caminhões. Com as finanças já pressionadas pelo aumento dos custos com fertilizantes e agroquímicos, ele afirmou que o combustível está cortando diretamente sua margem de lucro. A saída encontrada por Kurtz foi adiar parte dos trabalhos na esperança de que o diesel fique mais barato. "Amanhã será diferente", disse o produtor.
Fonte: Jornal de Brasília




