
Pesquisadores conseguiram fazer retinas de porcos e de humanos voltarem a responder à luz horas depois da morte. O estudo foi publicado em junho de 2026 na plataforma bioRxiv e revelou algo que a ciência achava impossível: a morte não encerra de vez a função visual.
Para realizar os testes, os cientistas criaram o ECaBox, nome que em inglês significa Eye-in-Care-Box. O aparelho funciona como uma UTI portátil exclusiva para o olho. Ele insere um tubinho na artéria principal do olho e bombeia um líquido especial rico em oxigênio e nutrientes. Além disso, controla a pressão e a temperatura do órgão, mantendo as condições parecidas com as de quando o olho ainda estava no corpo.
Nos experimentos com olhos de porcos, o sinal elétrico ligado à visão voltou a aparecer por até 10 a 12 horas após a morte. Nos olhos de doadores humanos, retirados entre 6 e 10 horas após o falecimento, as células também reagiram à luz, mostrando que a técnica funciona para a nossa espécie.
A inteligência artificial participou do processo de duas formas: criando mapas em 3D de todos os vasos sanguíneos do olho, para garantir que o líquido chegasse em cada cantinho, e analisando fotos das células para dar uma nota de 0 a 10 ao nível de dano. Os resultados confirmaram que os olhos conservados na caixa estavam muito mais saudáveis do que os deixados no gelo comum.
Segundo o estudo, a descoberta pode ser o primeiro passo para o transplante do olho inteiro em pessoas que não enxergam. Também abre espaço para testar novos remédios contra a cegueira diretamente nos olhos reativados em laboratório, sem precisar usar animais vivos nos testes iniciais. Os cientistas ainda destacam que, como a retina faz parte do sistema nervoso, aprender a reativá-la pode ajudar médicos a entender como salvar o cérebro após paradas cardíacas ou derrames.
Fonte: CNN




