
Um grupo de pesquisadores brasileiros desenvolveu um tipo de açúcar de cana que é absorvido mais lentamente pelo organismo, sem alterar o sabor do produto. A proposta é reduzir a velocidade com que a glicose chega ao sangue. Para isso, os cientistas usaram extratos obtidos de grãos de café verde defeituosos e da casca do amendoim, dois resíduos comuns da indústria alimentícia, incorporando esses compostos aos cristais de sacarose.
O resultado é um ingrediente com menor índice glicêmico, que é justamente a medida que indica a rapidez com que um alimento eleva o açúcar no sangue. Valores mais altos estão ligados a picos de glicose que podem sobrecarregar o organismo ao longo do tempo.
O produto foi desenvolvido por pesquisadores ligados à Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis, que reúne a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). O registro de patente já foi solicitado no Brasil.
A técnica usada se chama cocristalização: ela reorganiza a estrutura do açúcar para permitir a incorporação dos compostos fenólicos presentes nos extratos. Segundo a pesquisadora Regiane de Brito Vieira, a adaptação do método aumentou em 7,5 vezes a capacidade de incorporação dos compostos, mantendo as propriedades deles.
Para testar o efeito, os pesquisadores fizeram um ensaio clínico com 25 voluntários ao longo de seis dias. Os participantes consumiram diferentes versões do açúcar, incluindo combinações com café, amendoim e os dois juntos, e tiveram a glicose no sangue monitorada por duas horas. A versão com os dois extratos reduziu o índice glicêmico da sacarose de médio para baixo.
Os cientistas ainda investigam o valor calórico do produto e a sua interação com a microbiota intestinal, em estudos previstos com a Universidade de Bolonha, na Itália. O açúcar, produzido em forma de cristais, pode ser licenciado para empresas alimentícias como substituto do açúcar comum em produtos processados, com prioridade para quem participou do projeto.
Fonte: Metropoles - Saúde




