
TECNOLOGIA - China desenvolve enzimas próprias de edição genética com ajuda de Inteligência Artificial para escapar de patentes estrangeiras
A China está construindo suas próprias ferramentas de edição genética para não depender da tecnologia estrangeira. O ponto de partida é a Cas9, a famosa proteína usada para editar DNA que rendeu o Prêmio Nobel em 2020. Ela está no centro de uma longa briga de patentes nos Estados Unidos. As patentes pertencem ao MIT e ao Broad Institute de Harvard. Uma decisão de 2022 confirmou isso, mas um tribunal federal voltou a reabrir a disputa em maio de 2025. Para empresas que querem vender produtos no mercado, usar a Cas9 sem licença é um problema real.
Pelo menos três empresas chinesas decidiram criar suas próprias alternativas. A Shunfeng desenvolveu o Cas-SF01 e o Cas-SF02, variantes das famílias Cas12i e Cas12o, e já licenciou essa tecnologia para empresas nos Estados Unidos, Alemanha, Brasil e Índia. A Qi Biodesign, cofundada pela pesquisadora Gao Caixia, da Academia Chinesa de Ciências, criou o TranC e o QBEmax, este último construído a partir de uma reestruturação completa da arquitetura da Cas9. A Wimi Biotech apostou na CasY7, desenvolvida pelo professor Lu Yuming, da Universidade Jiao Tong de Xangai. A equipe de Lu usou Inteligência Artificial para analisar mais de 1 milhão de proteínas e aprimorar um candidato quase funcional até atingir 87,7% de eficiência no milho e 82,9% no arroz. Lu afirmou que versões da CasY7 já estão sendo usadas em medicamentos que passam por ensaios clínicos na China e nos Estados Unidos. O plano agrícola do governo chinês, divulgado em junho de 2026, pede oficialmente novas ferramentas de edição genética desenvolvidas dentro do país, sinalizando que a tecnologia própria é o verdadeiro objetivo da política chinesa, e não apenas as culturas melhoradas.
Fonte: Poder360




