
A China entrou com um pedido oficial nesta segunda-feira (10) para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio, a OMC, contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A notícia foi publicada primeiro pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Broadcast, do Grupo Estado.
As tarifas americanas, se somadas, podem chegar a 37,5% e vieram de duas investigações feitas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A primeira investigação gerou uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A segunda, focada em trabalho forçado, adicionou mais 12,5%, ambas com exceções específicas.
Em 27 de julho de 2026, o Brasil foi à OMC contestar essas medidas. O Itamaraty argumentou que as decisões dos EUA violam o Acordo Geral de Tarifas e Comércio, o GATT de 1994, inclusive por ultrapassar as alíquotas combinadas na lista de concessões americanas. O Brasil também criticou o uso de medidas unilaterais sem passar pelo mecanismo de solução de disputas da OMC. As reclamações dos EUA que motivaram as tarifas envolviam temas como PIX, etanol, corrupção, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.
A China, no documento desta segunda, afirma ter "interesse comercial substancial" no caso e diz que certas medidas dos EUA sobre produtos chineses também são afetadas, especialmente nas condições de concorrência no mercado americano.
O pedido de consultas é a primeira fase do processo na OMC. Os EUA já aceitaram a reclamação brasileira. Se não houver entendimento em 60 dias, o Brasil pode pedir um painel de arbitragem em Genebra — segunda etapa, que pode levar anos. Apesar disso, há dúvidas sobre a efetividade do processo. O órgão de apelação da OMC, que seria a terceira e última etapa, está paralisado desde 2019, bloqueado pelo governo Trump, que impediu a escolha de seus integrantes já no seu primeiro mandato.
Fonte: Jovem Pan




