
A China praticamente sumiu do mercado brasileiro de carne bovina em agosto: importou apenas 18,9 mil toneladas, uma queda de 88,2% em relação ao mesmo mês de 2025. O motivo é que a cota de 2026, de 1,106 milhão de toneladas, estava quase toda consumida. Quem ultrapassa esse limite paga tarifa extra de 55%. Mas a ausência pode não durar muito.
Segundo o analista de pecuária da Datagro, Guilherme Jank, que falou durante o 6º Fórum Pecuária Brasil, a expectativa é que compradores chineses intensifiquem as negociações entre o fim de setembro e o início de outubro. O objetivo é fechar cargas que cheguem aos portos asiáticos já em janeiro de 2027, aproveitando a nova cota brasileira de 1,128 milhão de toneladas. A regra da salvaguarda chinesa conta a cota no momento da entrada da mercadoria no país, não no embarque — o que abre essa janela de negociação ainda em 2026. Participantes do mercado ouvidos pela S&P Global confirmaram que exportadores brasileiros já estão oferecendo cargas para janeiro.
Mesmo durante a retração chinesa, a arroba resistiu. O preço chegou à região de R$ 325 no período de maior redução das compras, mas se recuperou cerca de R$ 25 em menos de duas semanas. Na terça-feira (15), o Indicador do Boi Datagro em São Paulo fechou em R$ 352,37/@. A Scot Consultoria também registrou valorização nas referências paulistas, com escalas de abate próximas de seis dias. A oferta controlada de animais terminados, com pecuaristas segurando a boiada em busca de melhores preços, ajudou a sustentar a arroba.
No mercado futuro, a B3 precificou o boi gordo para janeiro de 2027 em R$ 386,15/@, com outubro em R$ 375,85/@, novembro em R$ 383,20/@ e dezembro em R$ 383,35/@.
Além da China, os Estados Unidos abriram uma cota extra temporária de 300 mil toneladas de aparas bovinas magras entre setembro e novembro, em categoria tarifária que inclui o Brasil. Os dois países podem aumentar a demanda simultaneamente no último trimestre de 2026.
Em 20 de setembro, uma missão sanitária chinesa deverá visitar três frigoríficos brasileiros, dois deles em Rondônia, para avaliar reabilitação de plantas suspensas e habilitação de novos estabelecimentos exportadores. No segundo trimestre, o Brasil abateu 3,42 milhões de vacas, redução de 5% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o abate de bois cresceu 3,5% e o de novilhas 4,6%.
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