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Notícias/NEWS08/07/2026· KF News

Cenipa aponta falhas dos pilotos, da Voepass e da Anac na queda do avião em Vinhedo que matou 62 pessoas

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o Cenipa, concluiu que a queda do avião da Voepass em Vinhedo, em São Paulo, em agosto de 2024, foi resultado de uma combinação de falhas dos pilotos, da companhia aérea e da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac. O relatório final foi obtido pelo jornal Folha de S.Paulo antes da publicação oficial. O voo partiu de Cascavel, no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. O ATR 72-500 caiu sobre um condomínio em Vinhedo, explodiu no impacto e matou os 58 passageiros e os 4 tripulantes. Nenhuma pessoa em solo ficou ferida.

Segundo o relatório, os pilotos passaram parte significativa do voo conversando sobre assuntos sem relação com a operação da aeronave, o que reduziu a atenção deles às condições externas, à formação de gelo e aos alertas emitidos na cabine. A investigação aponta ainda que um dos pilotos enfrentava problemas pessoais que afetaram seu estado emocional e desviaram sua atenção durante o voo. O documento cita também coordenação ineficiente entre os tripulantes durante a emergência e descumprimento de procedimentos operacionais.

Em relação à Voepass, o Cenipa afirma que a cultura de segurança da empresa tinha fragilidades, que desvios operacionais haviam se tornado comuns dentro da companhia e que alertas recorrentes da aeronave eram tratados de forma inadequada. Pilotos e equipes técnicas já conheciam falhas no sistema de degelo antes do voo, mas mesmo com previsão de gelo severo na rota, a operação foi mantida sem medidas adicionais. Registros de falhas em voos anteriores também não constavam nos diários de bordo.

Sobre a Anac, o relatório diz que a agência havia realizado auditorias na Voepass, identificado irregularidades na manutenção e práticas de comunicação informal, mas que essas informações não resultaram em decisões para reduzir os riscos operacionais identificados. O relatório foi enviado às autoridades da França, onde fica a fabricante ATR, e do Canadá, país de origem dos motores da aeronave. Após a análise desses órgãos, o Cenipa deverá publicar oficialmente o documento.

Fonte: Jovem Pan