
O governo Lula anunciou, nesta quinta-feira (17/9), um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, faltando apenas 17 dias para o primeiro turno das eleições. O decreto assinado pelo presidente sobe o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. O valor médio pago às famílias passa de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em outubro, a partir do dia 19.
O anúncio colocou a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) numa situação delicada. A orientação nos bastidores é evitar qualquer reação que faça o candidato parecer contrário ao programa social. A aposta é deslocar o debate: em vez de discutir o tamanho do benefício, a campanha quer falar sobre como os programas sociais seriam geridos num eventual governo de Flávio.
Mesmo com essa orientação, o senador foi ao ar em seu canal no YouTube e chamou o reajuste de "merreca" e "ato de desespero" de Lula. Segundo Flávio, R$ 90 a mais não garante vida melhor a quem recebe o benefício e classificou a atitude do presidente como tentativa de compra de votos.
A proposta da campanha é manter os programas de transferência de renda, mas integrá-los a políticas de qualificação profissional, emprego e educação. Aliados chegaram a cogitar internamente um reajuste de até 20%, desde que acompanhado de corte de desperdícios e gastos considerados ineficientes. O pano de fundo econômico é pesado: o FMI projeta que a dívida bruta do governo chegue a 100% do PIB em 2027. A campanha também quer incorporar o tema da corrupção ao debate, questionando a eficiência na aplicação dos recursos públicos.
Fonte: Metropoles




