
O café brasileiro, em todas as suas formas de comercialização, está oficialmente livre das tarifas de importação anunciadas pelos Estados Unidos. A decisão foi divulgada pelo USTR — o órgão americano responsável pelo comércio exterior — na noite de 23 de julho. Com isso, o produto nacional escapa de uma taxa adicional de 12,5% prevista em uma das investigações abertas pelo órgão, e evita uma carga tarifária total que poderia chegar a 37,5%, somando as duas investigações em curso.
A conquista foi resultado de mais de um ano de trabalho conjunto entre entidades brasileiras e americanas. O setor realizou mais de 100 reuniões com representantes dos Departamentos de Comércio, Estado e Agricultura dos EUA, além do próprio USTR. Participaram do esforço o Cecafé, a ABIC, a Abics e a entidade americana NCA. O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, afirmou que o trabalho foi conduzido de forma técnica e apolítica, mostrando a importância do café brasileiro para consumidores, indústria e economia dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos são o maior mercado consumidor de café do mundo. O Brasil envia cerca de 6 milhões de sacas de 60 kg por ano ao país, gerando receitas próximas de US$ 2 bilhões. O Cecafé estima que o comércio total entre os dois países no setor chega a entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano.
Outro fator decisivo foi a apresentação de dados sobre as práticas trabalhistas na cafeicultura brasileira. Foram realizadas mais de 58 mil fiscalizações nos últimos anos, com cerca de 1% dos casos relacionados a algum problema envolvendo direitos humanos. O setor apresentou ainda programas como o Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura e o Programa Trabalho Sustentável, desenvolvidos com o Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo Matos, os argumentos usados pelas autoridades americanas para justificar a isenção estavam alinhados às informações técnicas apresentadas pelo setor brasileiro.
Fonte: Portal Agroneg.




