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Notícias/NEWS20/09/2026· KF News

Ar seco do El Niño volta a ameaçar peixes e anfíbios da Amazônia em 2026

Foto: Divulgação/Poder360

O El Niño de 2026 já está em fortalecimento e representa uma ameaça crescente para a fauna amazônica. Segundo o NOAA, a agência climática do governo dos Estados Unidos que monitora o clima e os oceanos, há mais de 90% de chance de que o fenômeno se torne muito forte nos próximos meses. Para piorar, os oceanos também estão registrando temperaturas recordes. O Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas registrou, em 22 de agosto, temperatura média diária de 21,1ºC na superfície dos oceanos fora das regiões polares, o maior valor desde que a série histórica começou, em 1979.

Na Amazônia, as consequências são bem conhecidas: períodos de seca mais severos, queda brusca no nível dos rios e impactos sobre os animais e as comunidades locais. Durante a seca histórica de 2023-24, influenciada pelo El Niño e pelo aquecimento global, cientistas e jornalistas registraram alta mortalidade de peixes e de botos-cor-de-rosa, além de rios e lagos com temperaturas acima do que muitos animais conseguem suportar.

Apenas dois anos depois, a situação se repete. Em 31 de agosto de 2026, Manaus viveu seu dia mais quente do ano, chegando a 37,3ºC, segundo o Inmet. No dia 10 de agosto, a umidade relativa do ar na cidade caiu para 41%, o menor valor do ano. Esse cenário acende um alerta menos conhecido: o impacto do ar seco sobre animais que dependem de superfície corporal úmida para respirar e se manter hidratados.

Os anfíbios, como sapos, rãs e pererecas, são um dos grupos mais vulneráveis. A pele desses animais é fina, permeável e cheia de vasos sanguíneos. É por ela que absorvem água, regulam sais no organismo e realizam parte da respiração. Quando o ar seca demais, a perda de água pelo corpo acelera, podendo causar desidratação, desequilíbrio de sais e dificuldade de respirar. Uma das saídas é buscar locais mais úmidos, mas quando o solo seca, o anfíbio pode até começar a perder água para o próprio chão.

Alguns peixes da família Rivulidae, conhecidos como peixes-das-nuvens, enfrentam problema parecido. Essas espécies conseguem sair da água e usar a pele para respirar temporariamente, mas o ar seco reduz o tempo que conseguem sobreviver fora d'água. A estiagem também diminui o volume dos rios, eleva a temperatura da água, reduz o oxigênio disponível e favorece incêndios que destroem os refúgios úmidos de que esses animais dependem para sobreviver.

Fonte: Poder360