
A Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) entraram com pedido formal no Cade para que o grupo econômico de Ronaldo Nazário, o Fenômeno, seja incluído na análise do Futebol Forte União (FFU). O bloco reúne clubes das séries A e B do futebol brasileiro e vinculou seus direitos de transmissão por 50 anos. A operação tem como requerentes a investidora Sports Media Entertainment (SME), a própria FFU e 31 clubes.
O centro da discussão é Gabriel Ribeiro Lima, administrador da CFU Administradora Ltda., empresa que cuida do Condomínio Forte União — estrutura por onde passam todas as receitas do arranjo. Segundo as entidades, 99% das cotas da administradora pertencem ao próprio Gabriel Lima, que também é sócio-fundador e conselheiro da ODDZ Network, holding de esporte e entretenimento criada por Ronaldo em fevereiro de 2021. Antes de assumir o CFU em 2025, Gabriel Lima foi CEO do Coritiba, do Cruzeiro e da Octagon no Brasil entre 2016 e 2019.
A ODDZ reúne a agência de marketing esportivo Octagon Latam, a produtora Beyond Films, o canal Ronaldo TV e a agência de atletas Talentz. O ponto mais grave levantado pelas entidades é o conflito direto com os jogadores: a Octagon representa atletas de clubes do próprio bloco, como Rodrigo Garro e Tamires, ambos do Corinthians. Isso significa que o mesmo grupo que administra o caixa e distribui receitas dos clubes também agencia profissionais empregados por esses clubes.
Em novembro de 2025, a CFU Administradora ampliou seu objeto social na Jucesp, passando a incluir intermediação e comercialização de direitos de arena, produção audiovisual e promoção de eventos esportivos — exatamente o que o condomínio faz. As entidades apontam que o formulário enviado ao Cade em abril de 2026, com 127 páginas, não menciona uma vez sequer a administradora ou sua função no arranjo.
Em nota, Gabriel Lima afirmou que sua participação na ODDZ é pública, anterior ao cargo no CFU e era conhecida quando assumiu a função, que não exerce cargo executivo na holding e que a administradora não comercializa direitos. Disse ainda que não foi apontado nenhum episódio concreto de irregularidade. A reportagem procurou o Condomínio Forte União, a CFU Administradora, a SME, a ODDZ e a assessoria de Ronaldo Nazário, mas não obteve retorno até o fechamento.
Fonte: Metropoles




