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Notícias/POLÍTICA18/09/2026· KF News

Alcolumbre usa poder no Senado e emendas bilionárias para tentar virar eleição no Amapá

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Davi Alcolumbre, presidente do Senado e filiado ao União Brasil, está travando uma batalha política intensa no Amapá mesmo sem ser candidato nesta eleição. O motivo é o risco real de seu grupo perder o governo do estado para o ex-prefeito de Macapá, Dr. Antônio Furlan, do PSD, que lidera com folga as pesquisas. Uma pesquisa Quaest realizada entre os dias 21 e 24 de agosto mostrou Furlan com 55% das intenções de voto, contra 35% do governador Clécio Luís, do União Brasil, principal aliado de Alcolumbre.

Para tentar virar esse cenário desfavorável, o senador usa toda a sua influência em Brasília: indicou dois ministros de Estado, controla um orçamento bilionário de emendas parlamentares, comanda cargos federais como a direção da Codevasf — estatal responsável por obras de redução de desigualdades regionais — e montou a maior coligação desta eleição, reunindo 12 partidos. Ele ainda conta com o apoio de 90% dos deputados estaduais e federais, de 15 dos 16 prefeitos do estado, do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, e até do presidente Lula, que foi pessoalmente ao Amapá durante a campanha.

Do outro lado, Dr. Furlan foi reeleito prefeito de Macapá em 2024 com 85% dos votos. Ele se popularizou com shows gratuitos, obras que mudaram a cara da capital e forte presença nas redes sociais, se apresentando como "prefeitão" e prometendo levar seu modelo de gestão para todo o estado. O peso eleitoral de Macapá é enorme: 55% dos 577 mil eleitores do Amapá estão na capital, e outros 15% na região metropolitana.

O temor de Alcolumbre é estratégico: se o adversário vencer, a estrutura do governo estadual pode trabalhar contra ele na disputa de 2030, quando tentará a reeleição para o Senado. A situação ainda envolve disputas no campo jurídico — o principal aliado de Furlan está afastado da vice-prefeitura por decisão do STF, e o Ministério Público Eleitoral acusa o ex-prefeito de tentar burlar a Lei da Ficha Limpa ao renunciar ao cargo após um pedido de impeachment relacionado à agressão a um jornalista. A candidatura de Furlan está autorizada, mas um recurso ainda tramita no TSE sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

Fonte: Jornal de Brasília