
A servidora pública Leidy Diana Oliveira, de 38 anos, está há mais de uma semana presa num labirinto burocrático que está impedindo ela de concluir a venda do imóvel onde morava e comprar a casa dos sonhos. O problema começou depois que o BRB vendeu carteiras de crédito imobiliário para o BTG Pactual — operação que faz parte de um pacote maior: desde o início da crise de liquidez envolvendo o extinto Banco Master, o BRB já vendeu R$ 10 bilhões em ativos, e pelo menos metade desse valor são carteiras de crédito imobiliário compradas pelo BTG.
Diana tinha um financiamento no BRB e, na venda do imóvel, ficou combinado que outro banco quitaria a dívida restante. Mas o cartório recusou a assinatura do BRB como interveniente quitante, porque os direitos do contrato já tinham sido transferidos ao BTG. Quando ela foi ao BRB, os gerentes disseram que não sabiam de nada e que não constava nenhuma mudança no sistema. Quando foi ao BTG, foi orientada a procurar o BRB.
O 2º Ofício de Registro de Imóveis do Distrito Federal confirmou que é preciso retificar o documento para incluir o BTG Pactual como interveniente quitante e apresentar os documentos de representação. Diana registrou queixa no Banco Central, que encaminhou ao BTG e deu prazo de 90 dias para resposta. Ela também notificou extrajudicialmente os dois bancos, mas não teve retorno de nenhum dos dois até a publicação da matéria.
O caso dela está longe de ser isolado. No Reclame Aqui, há dezenas de queixas parecidas de diferentes estados, incluindo casos registrados em junho deste ano ainda sem solução. Clientes relatam o mesmo "jogo de empurra" entre BRB e BTG, com prejuízos reais e risco de perda das negociações. O BRB disse em nota que os contratos seguem válidos e que atua junto às partes em situações com exigências cartoriais. O BTG não respondeu aos questionamentos até o fechamento da matéria.
Fonte: Metropoles




