
O desperdício agrícola não começa quando o pulverizador entra na lavoura. Ele pode surgir semanas ou meses antes, quando uma amostra de solo representa mal o talhão, uma recomendação ignora a variabilidade da área ou uma máquina distribui sementes e fertilizantes diferente do que foi planejado. É nesse contexto que a tecnologia de aplicação, ligada à Agricultura de Precisão, ganha importância.
O Ministério da Agricultura e Pecuária define Agricultura de Precisão como um conjunto de ferramentas e tecnologias para gerenciar a variabilidade espacial e temporal da propriedade, com o objetivo de aumentar o retorno econômico e reduzir impactos ambientais. Entre as ferramentas estão a amostragem georreferenciada, mapas de diagnóstico e recomendação, aplicação em taxa variável e sistemas de posicionamento.
Um estudo realizado em dois pomares comerciais de citros de 25 hectares em São Paulo, ao longo de cinco safras, avaliou a fertilização em taxa variável. Os resultados mostraram redução de 34% e 29% na energia incorporada aos fertilizantes nos dois pomares e queda de 20% a 70% no excedente de nutrientes. O resultado econômico, porém, foi diferente entre as áreas: houve aumento de 34,7% no lucro em um pomar e redução de 8,5% no outro. O estudo foi publicado na revista Biosystems Engineering em 2020.
Experimentos conduzidos pela Embrapa em propriedades comerciais de Mato Grosso e Paraná, em parceria com a Bosch, ajustaram a quantidade de sementes de acordo com características dos talhões usando ferramentas de Agricultura de Precisão. Na safra de 2023, os experimentos registraram ganhos de produtividade de até 8% no milho e 3% no algodão.
Um estudo publicado em 2023 na revista Computers and Electronics in Agriculture avaliou um sistema que usava sensores e inteligência artificial para estimar a fertilidade do solo em tempo real e ajustar a taxa de semeadura. O sistema apresentou 87,5% de eficiência, usou 86,4 mil sementes por hectare contra 90 mil no sistema uniforme, resultando em aumento de 4,4% na produtividade e €91 por hectare na margem bruta. Os autores alertam que os resultados foram obtidos em uma única área e em um único ano, e não devem ser aplicados automaticamente a outras condições.
Para os pesquisadores, a maior mudança proporcionada pela tecnologia de aplicação está na possibilidade de medir, decidir, executar e avaliar — substituindo decisões baseadas em médias por estratégias construídas a partir da realidade de cada área.
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