
Um dia depois de se tornar alvo da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou registrar em cartório a venda de um terreno de R$ 15,8 milhões na Região Metropolitana de Salvador. O imóvel tem 51 mil m² e foi comprado por Wagner em 2000 por apenas R$ 28.000. Ele foi negociado com uma empresa ligada ao Grupo City, controlador da SAF do Esporte Clube Bahia, em parceria com incorporadoras que planejam um empreendimento imobiliário ao lado do novo centro de treinamento do clube.
A escritura foi assinada em 18 de maio de 2026. No dia seguinte à operação da PF, a documentação foi apresentada ao 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari para efetivar a transferência, mas o cartório bloqueou a transação após receber a ordem de indisponibilidade de bens expedida pelo ministro do STF André Mendonça.
Além do terreno, Wagner havia vendido um apartamento de quatro suítes e 152 m² no Corredor da Vitória, bairro nobre de Salvador, por R$ 10 milhões para Marcelo Passos de Araújo, prefeito de Conceição do Coité (BA), filiado ao União Brasil. Esse pedido de venda foi protocolado em 10 de junho, antes da operação, mas também foi bloqueado pelo STF.
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, Wagner já havia recebido ao menos R$ 12 milhões pelas duas negociações — R$ 10 milhões pelo apartamento e R$ 2 milhões como adiantamento do terreno. A defesa do senador confirmou o pagamento de R$ 2 milhões e o recolhimento de impostos sobre o ganho de capital.
A PF investiga a suspeita de que Wagner pediu ao então sócio do Banco Master, Augusto Lima, a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões para sua filha em Salvador. Após a operação, pressionado pelo Palácio do Planalto, o senador deixou a liderança do governo Lula no Senado. Atualmente, é pré-candidato à reeleição.
Fonte: Poder360




