
A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, uma prorrogação de 60 dias para concluir a investigação sobre as operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília, o BRB. O caso gira em torno da compra, pelo BRB, de títulos de crédito do Master — entre eles, R$ 13,3 bilhões em créditos da empresa Tirreno. Uma auditoria independente feita pela Machado Meyer em parceria com a Kroll concluiu que esses créditos eram "total ou majoritariamente desprovidos de lastro", ou seja, não tinham cobertura financeira real.
Para justificar o pedido de prazo, a PF citou dois laudos periciais recentes, depoimentos que ainda precisam ser colhidos e informações pendentes do Banco Central. Entre os depoentes aguardados estão funcionários que participaram da estruturação das operações e membros da Diretoria Colegiada do BRB, chamada de Dicol.
O primeiro laudo, que analisou documentos das operações entre BRB e Master, apontou descumprimentos de normas internas, falhas de governança, concentração excessiva de risco e aprovações fora dos procedimentos normais. Ele também permitiu identificar individualmente a participação de membros da diretoria e incluir novas pessoas na investigação.
O segundo laudo analisou materiais da Operação Compliance Zero e documentos ligados às operações entre o Master e a Tirreno. A perícia encontrou sinais de que a Tirreno não tinha estrutura compatível com o volume bilionário das operações, além de ausência de provas de liquidação financeira efetiva e inconsistências nos documentos.
A PF também informou que o Banco Central determinou que ativos originários do Master passassem por avaliação específica durante seis meses. O pedido foi assinado em Brasília no dia 20 de agosto de 2026 e veio a público depois que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitou a Mendonça a retirada do sigilo das investigações sobre o Master.
Fonte: Metropoles




