
A Petrobras anunciou a descoberta de indícios de óleo no primeiro poço perfurado nas águas ultraprofundas do Amapá, dentro da região conhecida como Margem Equatorial. O resultado chegou dez meses depois do início da campanha no poço pioneiro de Morpho, trazendo otimismo para o mercado e para a companhia.
Se o potencial da bacia da Foz do Amazonas for confirmado, a expectativa é de pelo menos 40 anos de produção, segundo o gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras, Wagner Victer. "Eu vi o início da bacia de Campos e é emocionante ver que a gente está participando de um momento histórico, abrindo uma nova fronteira exploratória para uma nova geração", disse Victer.
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, informou que o óleo encontrado será analisado pelo Cenpes para avaliar qualidade e potencial do poço. A Margem Equatorial é estratégica para a empresa porque pode ajudar a repor reservas quando a produção do pré-sal começar a declinar, na próxima década. O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos na região e 15 novos poços.
Os próximos passos dependem do Ibama, que analisa o pedido para perfurar mais três poços. No caso de Morpho, foram mais de 12 anos de espera pela licença, liberada em outubro de 2025. A empresa britânica BP, que tinha 70% do ativo até 2021, desistiu de esperar e vendeu sua participação para a Petrobras.
Especialistas como o professor da PUC-Rio Edmar Almeida e o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, pedem que o Ibama acelere o licenciamento dos demais poços. Para o analista de energia da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, a descoberta é positiva, mas ainda sem informações suficientes para impactar o preço das ações da estatal. Em junho, a ANP aprovou 86 blocos da Margem Equatorial para futuros leilões, mas ainda dependem de análise ambiental para serem ofertados.
Fonte: CNN




