
O mercado mundial de milho está diante de um desequilíbrio histórico. Segundo o USDA, o consumo global do cereal deve superar a produção em quase 30 milhões de toneladas na safra 2026/27 — o que seria a maior diferença negativa entre oferta e demanda em mais de 30 anos, de acordo com a série histórica do WASDE.
O cenário surpreende porque os Estados Unidos devem colher a segunda maior safra de milho da história do país. Mesmo assim, o restante do mundo não acompanha esse ritmo. A produção combinada de milho e trigo entre grandes países exportadores deve registrar a maior queda em volume desde 1993/94 e a maior redução percentual desde 2012/13.
A atualização do USDA de 18 de setembro cortou a projeção de produção mundial de grãos forrageiros em 5,1 milhões de toneladas em relação ao levantamento anterior. Só no milho, o corte foi de 5,4 milhões de toneladas. A Índia respondeu pela maior queda entre os produtores estrangeiros, com redução de 2 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais também foram revisados para baixo em 1,6 milhão de toneladas.
Os preços já reagiram antes mesmo do fim da colheita americana: os futuros do milho em Chicago subiram 16% só em agosto, segundo levantamento da Reuters.
O Brasil é apontado como peça central nesse novo equilíbrio. A Conab projeta produção recorde em 2026/27. Mas o crescimento acelerado do etanol de milho — especialmente no Centro-Oeste — passou a disputar o grão com exportadores e a indústria de ração. A Anec projeta exportações brasileiras de 5,2 milhões de toneladas em setembro, ante 6,98 milhões no mesmo mês do ano passado, queda de 25,5%. De janeiro a setembro, a redução acumulada chegaria a 19,2%.
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