
Javier Milei, presidente da Argentina pelo partido La Libertad Avanza, usou o palanque da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira (23 de setembro de 2026), para fazer um discurso duro contra a organização. Foi a 3ª vez que ele se apresentou no fórum como chefe de Estado.
Logo de cara, Milei chamou a ONU de "inútil" e disse que ela "só serve para alimentar uma casta de parasitas arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados". Ele afirmou ainda que a entidade, em vez de garantir segurança coletiva e direitos humanos, "permitiu o caos, a violência e o terrorismo internacional".
Um dos temas centrais do discurso foi a disputa pelas Ilhas Malvinas com o Reino Unido. Milei usou o caso como exemplo concreto da incapacidade da ONU de fazer cumprir suas próprias resoluções. "De que adianta uma resolução se, durante décadas, a contraparte pode agir em sentido contrário?", questionou. Ao encerrar o trecho, avisou: "A Argentina não vai se sentar e esperar. Vamos tomar providências nesse assunto."
O arquipélago fica a 400 quilômetros da costa argentina e a quase 13.000 km do Reino Unido. Os dois países travaram uma guerra pelo território em 1982, que terminou com a rendição argentina e 649 militares mortos. A Argentina ainda reivindica a soberania da região.
A comitiva britânica permaneceu no plenário durante toda a fala sem se retirar — algo incomum, já que a praxe diplomática é deixar o salão como sinal de protesto durante o discurso de um rival.
Milei também declarou alinhamento "sem ambiguidade" com os Estados Unidos e com Israel, dizendo compartilhar com esses países "uma profunda afinidade de valores e uma complementaridade estratégica". Ao final, convidou "cientistas, empreendedores e criadores" do mundo a investirem na Argentina, citando reservas de petróleo, minerais críticos, alimentos e o desejo de se tornar "o lugar mais competitivo do mundo para desenvolver a inteligência artificial".
Fonte: Poder360




