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Notícias/SAÚDE01/10/2026· KF News

Infarto silencioso pode ocorrer sem dor no peito e chega a 20% dos casos de ataque cardíaco

Foto: Divulgação/Drauzio Varella

O infarto silencioso é um ataque cardíaco que provoca lesão no músculo do coração sem os sinais mais conhecidos, como a dor forte no peito. Segundo o cardiologista Cesar Jardim, do HCor, esse tipo de evento representa cerca de 20% dos casos de infarto. O infarto acontece quando o coração deixa de receber sangue em quantidade suficiente, geralmente por causa da obstrução de uma artéria coronária por um coágulo formado sobre uma placa de gordura.

No lugar da dor clássica, a pessoa pode sentir enjoo, vômito, falta de ar, cansaço, tontura, indisposição ou desconforto na região da barriga. Como esses sinais se parecem com outros problemas comuns, muita gente não desconfia do coração e demora para buscar atendimento.

Os fatores de risco são os mesmos do infarto comum: diabetes, pressão alta, colesterol e triglicerídeos elevados, tabagismo, sedentarismo, estresse emocional e obesidade. Idade avançada e histórico familiar de doença cardíaca também aumentam o risco. Nas mulheres, o risco cardiovascular sobe após a menopausa.

O diagnóstico pode ser feito por eletrocardiograma, ecocardiograma, cintilografia de perfusão miocárdica, ressonância magnética do coração e exames de sangue que medem a troponina, marcador de lesão no músculo cardíaco. As possíveis complicações incluem insuficiência cardíaca, arritmias, disfunção valvar, edema agudo de pulmão e choque cardiogênico.

Um estudo publicado em 2018 na revista JAMA Cardiology acompanhou 935 idosos e mostrou que, após dez anos, as taxas de mortalidade foram semelhantes entre quem teve infarto silencioso e quem teve infarto identificado no momento. Pesquisas também associam o infarto silencioso a maior risco de AVC e declínio mais rápido da função cognitiva.

O tratamento pode incluir medicamentos, angioplastia com stent ou cirurgia de revascularização. O cardiologista Ricardo Pavanello, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, reforça que controlar os fatores de risco com exames de rotina, medição da pressão, controle do peso e hábitos saudáveis é essencial para evitar novos episódios.

Fonte: Drauzio Varella